quinta-feira, 18 de março de 2010

Existem heróis no Iraque?

(Um médico da marinha americana mantém viva uma garota iraquiana na região central do Iraque 29 de março de 2003. )



Um dia os jovens de nossa geração, triunfalmente, irão liderar esse país. Não podemos ter medo de errar! Nossas mãos foram feitas por um ser que não governa homens perfeitos, constantemente achamos que estamos sozinhos no campo de batalha (ou em situações semelhantes)... Por causa disso, resolvi escrever sobre os soldados americanos e talvez você mude o conceito que tem deles.

Mais adiante eu mostro quais sintomas os ex-combatentes trazem do front.

25% dos jovens americanos que foram para o Iraque voltaram para casa com algum transtorno psíquico ou mental.



Alguns esquerdistas acham que os soldados, que perderam amigos e até mesmo certos sentidos na guerra, deveriam culpar Bush ou os Republicanos pelas suas perdas. Transcrevo um dialogo do filme “Perfume de Mulher” e mostro o que significa integridade!



Trecho do filme "perfume de mulher":


“Bem senhores, quando a merda atinge o ventilador, alguns correm e outros ficam (...) Se vocês pensam que estão preparando esses garotos para serem homens, melhor pensar outra vez (...) Que fraude!

Que tipo de show vocês estão apresentando aqui hoje? Eu digo, o único íntegro neste ato, está sentado ao meu lado... Inútil? E eu digo que a alma deste jovem está intacta. Ela não é negociável!
E vocês sabem como eu sei disso? Alguém aqui, eu não vou dizer quem – ofereceu-se para compra-la. Só que ele não a está vendendo.

(...)
Inútil? Vou lhe mostrar o que é ser inútil! O senhor não sabe o que é ser inútil... Eu lhe mostraria, mas estou muito velho. Estou muito cansado. E estou muito cego. Se eu fosse o homem de 5 anos atrás eu traria um lança-chamas a este lugar! Inútil? Com quem pensa que está falando? Já circulei muito, o senhor sabe? Houve um tempo em que eu podia enxergar... Eu vi garotos como este, mais jovens do que este... Seus braços esmagados, suas pernas dilaceradas. Mas não há nada como a visão de um espírito amputado, e não há prótese para isso!


Vocês pensam que estão mandando este esplêndido soldado de volta para casa, com o rabo entre as pernas... Mas vocês estão executando sua alma!
Assim que eu entrei aqui, ouvi aquelas palavras: “berço de lideranças” (...) “construtores de homens”, “criadores de lideres”... Cuidado com o tipo de lideres que estão construindo aqui. Eu não sei se o seu silêncio é certo ou errado, não sou juiz nem jurado, mas posso lhes dizer isto: Ele não venderá ninguém para comprar seu futuro! E isso, meus amigos, se chama integridade. É chamado coragem! É disto que os líderes deveriam ser feitos!

Eu cheguei à encruzilhadas em minha vida. Eu sempre soube qual era o caminho certo... Sem exceção, eu sabia, mas nunca o tomei. Sabem por que? Ele era duro demais. (...) (...)Charlie chegou a uma encruzilhada, escolheu um caminho. É o caminho certo. É o caminho feito de princípios que levam ao caráter.”




(No filme, Frank Slade (Al Pacino), um tenente-coronel cego, viaja para Nova York com Charlie Simms (Chris O'Donnell), um jovem acompanhante, com quem resolve ter um final de semana inesquecível antes de morrer. Porém, na viagem ele começa a se interessar pelos problemas do jovem, esquecendo um pouco sua amarga infelicidade.)




Eu cito um salmo da Bíblia usado pelos soldados durante a guerra:


“Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.” Salmo 23:4






O que significa ser herói?


O herói é marcado por uma projeção ambígua: por um lado, representa a condição humana, na sua complexidade psicológica, social e ética; por outro, transcende a mesma condição, na medida em que representa facetas e virtudes que o homem comum não consegue mas gostaria de atingir – fé, coragem, força de vontade, determinação, paciência, etc.





Existem heróis no Iraque?


Sim. Os soldados (de todas as nacionalidades) que combatem ou combateram no Iraque poderiam ser classificados como heróis, mas “heróis trágicos”. É o herói que cometeu um erro em suas ações ou nos julgamentos morais, o que o leva à desabar durante seu percurso.


Aristóteles é bastante claro em seu pronunciamento ao afirmar que o infortúnio do herói não é provocada por vício e depravação, mas por algum erro de julgamento. Na verdade, na Poética de Aristóteles, é imperativo que o herói trágico é nobre.



(Foto: o capitão James Blake Miller; Por causa de suas lutas com Transtorno de Estresse Pós-Traumático, Miller está agora separado de sua esposa e vive em um trailer nos fundos da casa de seu pai. Ele é incapaz de discutir certas coisas que aconteceram em Fallujah e juntou-se à um clube de motocicleta)



Traços comuns dos nossos soldados heróis (nenhum deles é divino ou imune à desgraça):


*A falha mais freqüentemente é o orgulho.


*O herói descobre que sua queda é resultado de suas próprias ações, não por causa dos acontecimentos.


*O herói vê e entende o seu castigo, e que seu destino foi definido por suas próprias ações.


*A queda do herói é entendida por Aristóteles em sua Poética como um despertar da piedade e do medo que leva a uma epifania e uma catarse (de herói e do público.)

Desde a época de William Shakespeare, tem sido, geralmente, considerado, que a falha de um herói trágico necessariamente deve resultar na sua morte, ou de um destino pior. O herói trágico de Shakespeare morre em algum momento na história, um exemplo é o protagonista de mesmo nome da peça Macbeth. Personagens de Shakespeare, mostram que o herói trágico não é totalmente bom nem totalmente mal.
*Um herói trágico é, muitas vezes nobre, ou descendente de nobres.


*O herói aprende alguma coisa com seu erro.


*O herói é confrontado com uma decisão séria.


*O sofrimento do herói é significativo, porque, embora o sofrimento seja o resultado da própria vontade do herói, não é inteiramente merecida e pode ser cruelmente desproporcional.


*Pode haver envolvimento sobrenatural (em Shakespeare, Júlio César, César é avisado de sua morte através de visão Calpurnia e Brutus é avisado de sua morte iminente pelo fantasma de César).


*O herói arquetípico das tragédias clássicas é, quase universalmente, do sexo masculino. Tragédias posteriores (como Antônio e Cleópatra de Shakespeare) apresenta o herói trágico do sexo feminino. Retratos de mulheres heróis trágicos são notáveis, por serem raros.





As medalhas não compensam as perdas. Um em cada quatro soldados americanos estão sob cuidados médicos depois de sua volta do Iraque e do Afeganistão. Apresentam problemas de ordem psicológica, segundo um estudo publicado nos Estados Unidos.Se entre os problemas psicológicos forem incluídos, por exemplo, os casos de violência doméstica, a cifra de ex-combatentes com problemas mentais sobe para 31%.O estudo, publicado no Archives of Internal Medicine do Journal of the American Medical Association (JAMA), estabelece que mais da metade (56%) dos soldados também apresenta mais de uma doença mental.

Os transtornos de estresse pós-traumático são os mais freqüentemente diagnosticados (13% dos soldados), seguidos por ansiedade (6%), depressão e abuso de entorpecentes (5%).





Saiba, o que significa ser veterano de guerra:

(Não há glamour, nem vantagens ou coisas do tipo.)


Hora do Choque – Começa com o coração, acelerando os batimentos e enviando mais sangue para os músculos, para garantir agilidade. Dois hormônios são liberados para manter sua vigilância: Adrenalina e Cortisol. É o estresse, que aparece sempre que somos pressionados.

Surge o desamparo e a impotência. O baque é tão forte que nunca mais se esquece.


Os dias seguintes – Desamparo total, momento em que se assume o papel de abandonado e desprotegido. Despede-se da vida de “happy hours” e almoço com os colegas. Ela agora não existe mais para o soldado.

A tristeza e a vergonha acompanham a pessoa onde quer que ela vá, de destemido passa a ser covarde. Com o luto, as memórias desativam o sistema de recompensa do cérebro – aquele que dispara Dopamina quando vivemos uma situação alegre. Isso acontece para lembrarmos de como éramos felizes e tente repetir a história. Depois de ver um colega sendo morto ou após perder alguém, o corpo desliga esse sistema, justamente para que as memórias ruins não se repitam.

Agora você entende por que ninguém que lutou na guerra gosta de falar dela?

Só o nome dela já assusta.

Quando falamos a palavra “guerra” para um soldado traumatizado, o córtex cingulado anterior, que fica na região central do cérebro é que entra em ação primeiro – ele avisa que o transtorno deve ser enfrentado. Depois o córtex frontal (na sua testa) se carrega de digerir e avaliar a situação. Por fim, o córtex subgenual (na parte da frente do cérebro) retrai os movimentos do corpo, deixando-o mais lento.Tudo isso, provoca o sentimento da vergonha.


Meses Depois – Depressão e Ansiedade. O ex-soldado começa a fazer estoques de remédio em casa, para aliviar incômodos nos músculos, acabar com a queimação no estômago e baixar a pressão. Acredite, até para dormir é necessário recorrer aos comprimidos. Triste, cheio de dores pelo corpo, o garoto parece estar na lama. Esse estado pode mexer com os seus neurônios. É o que acontece quando chegamos num nível critico de estresse. Nesse estágio, a produção de cortisol bomba no corpo, o que reduz a comunicação entre os neurônios do sistema de recompensa (aquele que dá a sensação de felicidade). Vive-se dias de cão. A ansiedade acompanha o sujeito, até a velhice muitas vezes, se ele não recorrer ao suicídio.







O general Peter Chiarelli, vice-comandante do Exército (The New York Times, 30/1/2009) disse: “"Não há dúvidas, para mim, de que o estresse é o fator na tendência que estamos vendo", se referindo ao alto número de suicídios entre os combatentes


Pelo menos 30% dos que se suicidaram em 2008 estavam em missão, enquanto que 75% dos soldados que se suicidaram estavam em combate pela primeira vez. 1% dos soldados viram desertores.




Números:



Tropas no Iraque - Total 115.000 soldados até o dia 30 de novembro de 2009. Fora as tropas de outros países aliados.
Mortos - 4,379; 98% homens.
91% não eram oficiais; 82% estavam na ativa, 11% pertencia à Guarda Nacional; 74% brancos, 9% Africano-Americano, 11% de latinos. 54% das vítimas E.U. menores de 25 anos de idade. 72% eram do Exército E.U.

31.669 soldados até 30 de setembro de 2009 haviam sofrido ferimentos, 20% dos quais são sérios danos cerebrais ou espinhais. (Total excluindo os danos psicológicos.)





Os familiares não tem dúvida de que foram heróis. Se esses garotos não lutaram por uma causa nobre... morreram pelo que?







Caixões chegam todos os meses aos Estados Unidos:




Milhares de amputados:


(Foto: Oficial britânico amputado no braço)









Soldado agraciado com uma medalha (ele não viveu para recebe-la):



(Um insurgente iraquiano jogou uma granada perto da torre onde o soldado Ross A. McGinnis estava, quando ele viu que 4 companheiros corriam perigo... se jogou sobre a granada e minimizou a explosão. Deixou filhos. Foi agraciado com a Medalha de Honra - póstuma).






Conclusão:


Quando falam da Guerra do Iraque, esquecem de mencionar os Heróis... Sim, houve erros que jamais poderão ser mudados, seus resultados se perpetuarão na história, mas o que fazemos para melhorar o mundo? Criticar é muito facil, dificil é assumir posição e ir para o campo de batalha (voluntariamente, como eles fizeram) e enfrentar o perigo... Arriscar a própria vida para salvar a de desconhecidos, isso se chama altruismo, uma das caracteristicas dos heróis.



>>>Eu respondo todos os comentários, mas se for deselegante ou pronunciar palavras de baixo calão eu apago. Discordar sim, ofender não.<<<

Um comentário:

  1. Belíssima matéria a ser debatida, eu tenho 16 anos e pretendia (de alguma maneira) me juntar ao exercito americano a guerra no Iraque. Mas cada dia que passo nessa minha vida mais eu quer estar longe de lá.iraque

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